Pois sim, este é o trabalho do moinho, veja só: desde os tempos mais remotos da história da humanidade as pessoas levam para os moinhos os grãos de suas colheitas. Ásperos, duros, primitivas formas de ser – assim são os grãos. Mas os moinhos os transformam em farinha. Ah! Como é suave, agradável ao tato e cheia de possibilidades a farinha – matéria prima de várias receitas.
Moinhos são transformadores. Note bem: eles não são reformadores porque não lhes interessa nem adaptar nem dar outra forma àquilo que chega até eles. A tarefa dos moinhos é transformar: fazer transcender a forma. Moinhos são transcendentes... Calmamente trabalham. Persistentemente realizam a transformação.
Depois, em suas casas, cada aldeão reúne em volta da mesa sua família e seus amigos. Todos felizes, conversam, riem, compartilham suas vivências e degustam pães, biscoitos, bolos e outras iguarias produzidas com a farinha dos moinhos. Em volta da mesa alimentam o corpo e a mente: vivem!
Do grão à reunião: belo trabalho que os moinhos, há séculos, realizam sem parar. Porque moinhos não param. Sempre há um grão para transmutar!